Medicina Veterinária Integrativa

Medicina do Futuro

Hoje na prática clínica existe um grande distanciamento e uma dificuldade do Médico em lidar com aspectos individuais de cada paciente, sejam aspectos comportamentais ou emocionais da doença, ou em tudo que a própria doença causa no círculo familiar do animal. Então, para que possamos ter uma visão ampla desses aspectos que giram em torno da doença, buscamos estreitar a relação do Médico-Veterinário com o Tutor, criando uma relação de compreensão que auxiliará e muito na boa evolução clínica dos pacientes.

Vivemos um momento de muitas Medicinas, seja a Paliativa, Integrativa, Complementar ou Tradicional Chinesa, onde permeiam-se ideias que buscam além da prática de uma boa medicina, a cura ou o conforto para as doenças.

A visão de Medicina Integrativa é permeada por algo que inclua o que é de melhor em todas essas medicinas, isso é, buscar exames diagnósticos precisos e personalizados, mas também ofertando tratamentos milenares como a Acupuntura, o que proporciona uma maior qualidade de vida ao indivíduo.

Não podemos apenas olhar a doença em si. Temos também de olhar todo o indivíduo e todos os aspectos ao seu redor, como seus tutores e ambiente em que vive, para promover saúde e conforto para o animal.

Buscamos, através da Medicina Veterinária Integrativa, a possibilidade da junção entre as práticas Médicas milenares e tudo que há de mais moderno dentro do modelo médico atual, tendo à disposição o melhor que cada prática pode proporcionar.

“No socorro aos animais doentes, usar os recursos terapêuticos possíveis, sem desprezar mesmo aqueles de natureza mediúnica que aplique a seu próprio favor.”

O nascimento do modelo médico-veterinário integrativo

É sabido que ao longo da história da Medicina houve diferentes modelos de cuidados a saúde das pessoas, caracterizados de acordo com a localidade e cultura de onde eram praticados. O modelo médico atual predominante trouxe soluções para inúmeras doenças, mas vem sofrendo crescentemente devido a insatisfação por parte dos pacientes e médicos que buscam alternativas de tratamento e não as têm, principalmente nas doenças crônico-debilitantes.

Essa busca por terapias alternativas teve início na década de 60, fortemente motivada pelo aumento das doenças crônicas, diminuição da casuística das doenças infectocontagiosas, da relação superficial médico-paciente, dos altos custos do modelo médico vigente, dos efeitos colaterais das medicações convencionais, dentre outros.

Esse aumento da demanda gerou certa tensão na comunidade médica. Para amenizar este conflito a academia médica adotou os termos Medicina Alternativa e Complementar (MAC), nos EUA e Inglaterra, no final da década de 80. Mesmo assim, a MAC não agradou por ainda fazer referência a uma Medicina que se sucede à Medicina convencional, não que integre junto dela.

Ainda na tentativa pela busca da descrição de um modelo que atendesse a demanda pela integração, no final da década de 90 foi criado o termo Medicina Integrativa (MI), sendo “integrativa” um termo que compreende essa busca pela plena saúde. Muitos autores enfatizam as grandes diferenças entre MI e MAC, principalmente dizendo que a Medicina Integrativa é a união entre a medicina convencional com diversas técnicas complementares, desde que alicerçada em evidências científicas.

Estas evidências podem ser embasadas de acordo com o modelo científico atual ou de acordo com aquelas embasadas pela vasta experiência de determinadas culturas. As observações trazidas pelas Medicinas tradicionais são partes integrantes e indissociáveis da história da evolução da Medicina, e por consequência, não devem ser descartadas.

Muitas associações fomentam à prática Integrativa. O Consortium of Academic Health Centers for Integrative Medicine, situado na Virgínia, EUA, destaca a Medicina Integrativa como sendo uma prática médica, não só como uma especialidade, mas também como uma forma de se fazer medicina, focada em todos os aspectos que circundam o paciente. É uma busca real pela saúde em sua definição, que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não somente ausência de afecções e enfermidades”.

Para que a MI consiga maiores adeptos que a pratiquem, o seu ensino nas escolas médicas é um investimento necessário, seja na graduação ou na pós-graduação, bem como os investimentos em pesquisa, com metodologias que acresçam ao médico estas ferramentas em seu trabalho.

Este movimento integrativo dentro da Medicina Veterinária tem demanda pela própria necessidade dos Médicos-veterinários em buscar complementariedade nos seus tratamentos, como também por parte dos tutores, desiludidos com as perspectivas dos tratamentos convencionais propostos.

Este movimento integrativo tem base na relação terapêutica, na abordagem do paciente como um todo, na orientação do protocolo e na participação ativa do tutor, trazendo consigo foco total no bem-estar do paciente, sobretudo na possibilidade de melhorar seu convívio com doenças crônicas, degenerativas e incuráveis. Refletindo muitas das vezes em mudanças profundas na relação tutor-paciente, inclinando estas pessoas a um estilo de vida mais saudável, bem como seus animais.

Por Que Utilizar?

A Medicina Veterinária Integrativa nasceu também de um conceito chamado Slow Medicine, onde a consulta clínica tem uma abordagem muito mais afetiva e profunda do que habitualmente vemos.

A integração de diferentes conhecimentos médicos permite uma abordagem clínica mais ampla ao animal e a sua patologia, o que complementa o tratamento convencional com um leque de novas opções terapêuticas.

Objetivos

Os objetivos fundamentais da integração estão baseados em dois fatores: o conhecimento mais amplo e completo do animal e da doença e um maior número de opções terapêuticas, permitindo sugerir novas opções de tratamento e evitar ou reduzir reações adversas decorrentes da utilização isolada das terapias convencionais.